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DO EU,  AO NÓS.  A impermanência no budismo é um conceito-base. Todos os fenômenos surgem e cessam continuamente. E, quando falamos sobre equilíbrio, devemos pensar em algo não estático, parado, permanente ou imutável, mas, sim, em um processo dinâmico, ativo e criativo. O movimento é gerador de atrito, conflito e contraste, o que leva à mudança. Mas nem toda mudança desencadeada pelo conflito conduz à autoconsciência e à empatia, a um alinhamento entre o sujeito e o outro social. Kazimierz Dąbrowski, ao descrever a teoria da desintegração positiva, expôs que algumas pessoas têm um potencial de desenvolvimento maior do que outras e que nem toda crise leva a um alto nível de desenvolvimento. Mas, quando isso se dá, ocorre uma desintegração no sentido vertical. O indivíduo vai do centro para a periferia: sai de processos autocentrados e caminha em direção ao altruísmo e à moralidade. Vai do “eu” ao “nós”. Assim é Aion.

O Tempo e o Tempo em Aion

O tempo. Ao falar do tempo, somos imediatamente lançados a vários aspectos da realidade. Podemos partir do tempo Chronos , quantitativo, medido em segundos, minutos, horas, dias, semanas, anos (tempo cronológico), e chegar ao tempo marcado por uma característica puramente existencial e qualitativa. Aion, divindade da mitologia grega, representa o tempo ilimitado, sem passado, presente ou futuro: o tempo circular. Em oposição, está Chronos , que representa o tempo linear, aquele que segue uma linha reta de eventos. Einstein, com sua Teoria da Relatividade, demonstrou que o tempo sofre variações e que existe uma quarta dimensão: a espaço-temporal (soma de três dimensões espaciais e uma temporal). Já a neurociência nos diz que o cérebro é a verdadeira máquina do tempo. Ele nos transporta a experiências vividas no passado, assim como nos projeta no futuro, com toda a vivacidade que tais fenômenos são capazes de produzir em nível corporal e emocional. E quanto ao aspecto qualitati...