A Felicidade – um fim último

 Fábio Antônio Marques Galina1


 Um problema filosófico que muitos pensadores se debruçaram, fazendo parte do conhecimento humano.

 No período de Homero e Hesíodo o conhecimento era representado pela Mitologia, tendo como objeto a cosmogonia (nascimento do mundo) e a teogonia (nascimento dos deuses). Uma verdade, que sem reflexão buscava explicar o acontecimento de fenômenos naturais e sociais. 

Vários fatores, proporcionaram ao homem desmistificar o saber, e não mais satisfeito com a explicação mitológica, teve início a investigação sobre a origem do universo e das coisas, através de uma explicação racional e lógica (logos). 

 Daí surgiu a Filosofia por volta do Séc. VII e VI aC., uma forma de ver e buscar explicação sobre o mundo por meio da razão, fundamentada em observações e estudos da realidade

. Os historiadores da Filosofia dizem que ela possui data e local de nascimento: final do século VII e início do século VI antes de Cristo, nas colônias gregas da Ásia Menor (particularmente as que formavam uma região denominada Jônia), na cidade de Mileto. E o primeiro filósofo foi Tales de Mileto.(CHAUI, 2000, p.28)

 Na Grécia antiga a Filosofia estava intimamente ligada às questões éticas, e o pensamento que permeou as mentes de grandes pensadores foi sobre a melhor maneira de agir e viver o que levaria o homem ao florescimento de suas capacidades na realização da sua finalidade.

 Para Aristóteles, todas as coisas que fazemos, as nossas ações e escolhas visam um fim, numa ética fundada num telos onde todo o agir humano pretende alcançar ou tem uma finalidade, o que ele chamou de “bem” ou “sumo bem''.

          Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele mesmo e tudo o mais é desejado no . interesse              desse  fim; e se é verdade que nem toda coisa desejamos com vistas em outra (porque, então, o processo se repetiria ao                infinito, e inútil e vão seria o nosso desejar), evidentemente tal fim será o bem, ou antes, o sumo bem. (ARISTÓTELES,              1973, p.249) 

 Assim, identificou que o sumo bem, isto é, o mais alto de todos os bens que se pode chegar pela ação humana é a eudaimonia que hoje traduzimos como a felicidade.

           Retomemos a nossa investigação e procuremos determinar, à luz deste fato de que todo conhecimento e todo trabalho                 visa a algum bem, quais afirmamos ser os objetivos da ciência política e qual é o mais alto de todos os bens que se                       podem alcançar pela ação. Verbalmente, quase todos estão de acordo, pois tanto o vulgo como os homens de cultura                     superior dizem ser esse fim a felicidade e identificam o bem viver e o bem agir como o ser feliz. (ARISTÓTELES,                       1973, p.251)

 O homem que é um ser racional e convive em sociedade, precisa viver bem e agir bem, agir de forma adequada com o ser feliz. A sua ação é que o conduz à felicidade. 

            Outra crença que se harmoniza com a nossa concepção é a de que o homem feliz vive bem e age bem; pois definimos                  praticamente a felicidade como uma espécie de boa vida e boa ação. As características que se costuma buscar na                          felicidade também parecem pertencer todas à definição que demos dela. Com efeito, alguns identificam a felicidade                    com  a virtude, outros com a sabedoria prática, outros com uma espécie de sabedoria filosófica, outros com estas, ou                    uma destas, acompanhadas ou não de prazer; e outros ainda também incluem a prosperidade exterior. (ARISTÓTELES,              1973, p.257)

Portanto, podemos dizer que para Aristóteles o conhecimento faz parte da natureza humana e está ligado à alma onde, residem tanto as paixões, as faculdades, como a disposição de caráter e, existem em Potência para se tornar em Ato (Excelência), o que depende do agir bem e do viver bem, ou seja, da virtude, uma espécie de sabedoria prática, baseada na prudência e no equilíbrio, assim tornando se e atingindo o fim último que é a felicidade.  



 REFERÊNCIAS

 ARISTÓTELES, Tópicos - Dos Argumentos Sofísticos - Metafísica - Ética a Nicômaco – Poética. Coleção Os Pensadores. 1ed. São Paulo: Abril Cultural, 1973. 

 CHAUI, Marilena, Convite à Filosofia, Ed. Ática, São Paulo, 2000.


1Graduado em Direito pela Universidade Luterana do Brasil (1995). Graduado em Estudos Sociais pela Faculdade de Filosofia Ciência e Letras de Santiago (1985). Cursou na Uninter o curso de Maçonologia: História e Filosofia - ministrado em nível de Pós-graduação Lato Sensu (2019). Graduado em Bacharelado em Filosofia na Uninter - EAD (2022). Graduado em Formação Pedagócia em Filosofia na Uninter - EAD (2024). Pós-graduado no Ensino de Filosofia pela UFpel - EAD (2025) . Atualmente cursando Pós-graduação em Psicanálise na Uninter. 

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